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Infiltração no joelho: o que é, quando é indicada e o que esperar

  • 25 de mai.
  • 3 min de leitura

A infiltração no joelho é um procedimento ambulatorial não cirúrgico que não exige internação. O médico injeta uma substância diretamente na articulação, com o objetivo de reduzir a dor e melhorar a função do joelho. Apesar de ser um recurso bastante utilizado no tratamento das doenças do joelho, ainda gera muitas dúvidas. A principal delas é simples: para que serve e quando realmente faz sentido.




Quando há indicação para a infiltração?


A infiltração não é o primeiro passo no tratamento do joelho. Ela passa a ser considerada quando medidas iniciais, como fisioterapia, controle de peso e medicação oral, não foram suficientes para controlar a dor.

As situações mais recorrentes para a indicação são:

  • Artrose de joelho (estágios leve e moderado) e, em alguns casos, avançado

  • Inflamação aguda com derrame articular

  • Tendinites ao redor do joelho, como tendinite patelar e bursite

  • Pacientes que não podem ou não desejam operar no momento

A indicação depende do diagnóstico clínico, dos exames de imagem e da história de cada paciente.


Quais são as substâncias utilizadas?


Existem diferentes tipos de infiltração, cada um com mecanismo e objetivo distintos. A seguir, as três principais.


Corticóide É um anti-inflamatório potente e de ação rápida. O alívio costuma começar entre 24 e 48 horas após a aplicação e pode durar de algumas semanas a poucos meses. É mais indicado quando há inflamação aguda ou derrame importante no joelho. Deve ser usado de forma criteriosa e com moderação.


Ácido hialurônico (viscossuplementação) O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente no líquido sinovial do joelho. Ele contribui para a lubrificação da articulação e para a proteção da cartilagem. Na artrose, sua concentração e qualidade diminuem.

A infiltração com ácido hialurônico, conhecida como viscossuplementação, busca restaurar essas propriedades. O efeito é mais gradual do que o do corticoide. O alívio costuma surgir entre duas e quatro semanas após a aplicação e pode durar de seis meses a um ano, dependendo do grau de artrose e do produto utilizado.

Existem vários produtos com ácido hialurônico no mercado de diferentes empresas. Diferem na concentração do ácido hialurônico, viscosidade, volume, e número de aplicações necessárias para alcançar o efeito desejado. Além disso, diferentes tecnologias no preparo do produto podem contribuir para o maior efeito e durabilidade da infiltração.

Novos produtos, como o hidrogel bioativo, ou ácido hialurônico de quarta geração, já estão disponíveis. As indicações clínicas não são as mesmas para todo paciente. Uma avaliação criteriosa do quadro clínico e do tipo de inflamação e acometimento articular do paciente é fundamental para a escolha correta do produto.

 

PRP (Plasma Rico em Plaquetas) O PRP é preparado a partir do sangue do próprio paciente. Uma amostra é coletada, centrifugada e o concentrado de plaquetas é aplicado no joelho, que estimulam processos de reparo tecidual. 

É uma opção mais recente na prática clínica. A evidência científica ainda está em consolidação, mas resultados clínicos favoráveis têm ampliado seu uso, especialmente com a finalidade de melhora da dor e função da articulação.



Como o procedimento é realizado?


A infiltração é feita no consultório. Após a higienização da pele, o médico aplica anestesia local e introduz a agulha no ponto adequado da articulação. Em alguns casos, o procedimento pode ser guiado por ultrassom para maior precisão.

O desconforto costuma ser leve. A maioria dos pacientes relata apenas uma sensação de pressão no momento da aplicação, que passa rapidamente. Após o procedimento, recomenda-se evitar esforço físico mais intenso por 24 a 48 horas.



O que a infiltração não faz?


A infiltração atua no controle dos sintomas e não reverte o desgaste da cartilagem nem cura a artrose.

Em casos mais avançados, com desgaste importante e contato entre os ossos, a resposta tende a ser limitada e menos duradoura. Nessa fase, a infiltração pode até oferecer alívio temporário, mas a discussão sobre cirurgia passa a ser inevitável.

Usar o procedimento de forma repetida para adiar uma decisão cirúrgica, quando esta é bem indicada, raramente é a melhor estratégia.



Infiltração e cirurgia não são excludentes


São abordagens diferentes, indicadas em momentos distintos da evolução da doença.

Muitos pacientes se beneficiam de infiltrações por meses ou até anos antes de precisar de cirurgia. Em outros casos, o procedimento pode ser utilizado no período pré-operatório, ajudando a controlar a inflamação antes da intervenção.

A definição do melhor caminho depende de uma avaliação clínica completa. Exame físico, exames de imagem e a história do paciente são fundamentais para orientar essa decisão.


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