Prótese de joelho: o que o paciente precisa saber antes de decidir
- 25 de mai.
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Atualizado: 8 de jun.
A prótese de joelho é uma das cirurgias ortopédicas mais realizadas no mundo. No Brasil, o número de procedimentos cresce a cada ano, acompanhando o envelhecimento da população e o aumento da longevidade. Ainda assim, é uma decisão que gera dúvidas e muitas perguntas. Entender o que a cirurgia faz, e o que ela não faz, ajuda o paciente, juntamente com o médico a tomar a melhor decisão.
O que é a prótese de joelho?
O objetivo da prótese é substituir as superfícies desgastadas da articulação por componentes artificiais. O cirurgião remove a cartilagem deteriorada e uma fina camada do osso subjacente para que, no lugar, sejam fixados componentes metálicos no fêmur e na tíbia, com um espaçador de polietileno entre eles. Esse conjunto reproduz o movimento do joelho com atrito mínimo e sem dor.
É importante destacar que o joelho não é removido. Com efeito, os ligamentos, tendões e a maioria das estruturas ao redor da articulação são preservados. O que muda, efetivamente, é a superfície de contato entre os ossos.

Quando a cirurgia é indicada?
A principal indicação é a artrose avançada do joelho. Quando o desgaste da cartilagem faz com que os ossos se toquem diretamente, a dor passa a ser intensa, altera-se o alinhamento da perna e as atividades do dia a dia ficam comprometidas.
A cirurgia é considerada quando:
• A dor persiste em repouso e à noite, não só durante o movimento
• O joelho limita atividades básicas como caminhar, subir escadas e levantar de uma cadeira
• O tratamento clínico, incluindo fisioterapia, medicação e infiltrações, não produziu melhora suficiente
• Há deformidade visível no eixo da perna, como joelho varo ou valgo acentuado
A idade do paciente, por si só, não determina a indicação. Pacientes com 55 anos, por exemplo, e artrose grave têm indicação, já pacientes mais velhos, por exemplo com 75 anos mas que não possuem limitação funcional relevante, não têm indicação para prótese. Ou seja, o critério é clínico, não etário.
Quando recorrer à prótese total ou parcial?
A prótese total substitui os três compartimentos do joelho: o interno, o externo e o patelofemoral. É a opção mais comum e com maior volume de dados de longo prazo.
Por outro lado, a prótese parcial, chamada unicompartimental, substitui apenas o compartimento comprometido. É indicada quando o desgaste se restringe a uma área específica, os ligamentos estão íntegros e o alinhamento da perna é adequado. A cirurgia é menor, a recuperação mais ágil e a sensação de joelho mais natural é relatada por muitos pacientes. Mas nem todo joelho reúne as condições para essa opção.
A escolha entre os dois tipos depende de uma avaliação criteriosa com exame físico e radiografias em carga.
Como a cirurgia é feita? É possível o uso da Robótica?
A cirurgia dura entre uma hora e meia e duas horas. A anestesia mais usada é a raquidiana, com sedação, para que o paciente não sinta dor durante o procedimento.
O cirurgião acessa a articulação por uma incisão frontal no joelho. As superfícies ósseas são preparadas com instrumentos de precisão, os componentes são posicionados e fixados com cimento ósseo ou por pressão, dependendo do tipo de implante escolhido. O espaçador plástico é encaixado entre os componentes metálicos. Estes passos podem ser realizados com o auxílio da Robótica. Hoje temos vários tipos de robôs que melhoram a precisão dos cortes ósseos e do alinhamento do membro na cirurgia de prótese.
Antes de fechar, o cirurgião testa a amplitude de movimento, o alinhamento e a estabilidade da prótese. Pequenos ajustes são feitos até que o resultado seja adequado.
Como é o pós-operatório?
Após a cirurgia, a indicação é que o paciente se levante da cama já no dia seguinte à cirurgia, ou no mesmo dia ainda a depender da recuperação anestésica. Isso é importante, pois a mobilização precoce reduz o risco de trombose, melhora a circulação e preserva a mobilidade do joelho.
Nas primeiras semanas, o joelho fica inchado e aquecido, sendo esta uma resposta normal ao procedimento. O inchaço diminui progressivamente ao longo de semanas a meses.
A fisioterapia começa ainda no hospital e segue por meses após a alta. O objetivo inicial é recuperar a extensão completa do joelho e atingir pelo menos 90 graus de flexão. Essas metas são essenciais para as atividades do dia a dia.
O retorno à caminhada sem apoio acontece entre duas a quatro semanas na maioria dos casos. Dirigir costuma ser liberado entre quatro e seis semanas. Atividades de baixo impacto como caminhada, natação e ciclismo são incentivadas no médio prazo.
Quais são os alcances da prótese?
A prótese de joelho alivia a dor, corrige deformidades e devolve a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Esse é seu objetivo central e, na maioria dos casos, é alcançado. A amplitude de movimento após a cirurgia costuma ser boa.
A durabilidade dos implantes modernos ultrapassa 15 anos em mais de 90% dos casos, com cuidados adequados.
Quais são os principais riscos e complicações?
A taxa de complicações graves é baixa. As principais são infecção ao redor do implante, trombose venosa profunda e rigidez articular por adesão. Cada uma tem protocolo de prevenção específico, que começa antes da cirurgia e segue no pós-operatório.
A infecção é a complicação mais temida. Por isso, qualquer foco infeccioso no corpo, incluindo problemas dentários, precisa ser tratado antes da cirurgia. Após o implante, procedimentos odontológicos invasivos exigem cobertura com antibiótico.
Qual a importância da fisioterapia?
A fisioterapia pós-operatória é essencial para o bom resultado cirúrgico. A participação ativa do paciente nessa fase é um dos fatores mais importantes para o resultado final.
A decisão pela cirurgia, quando bem fundamentada, tende a mudar a qualidade de vida de forma consistente. Pacientes que chegam à prótese com indicação correta relatam, com frequência, que não deveriam ter protelado tanto sobre a decisão da realização da cirurgia, pois perceberam que houve um ganho significativo na qualidade de vida.




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