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Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA): do diagnóstico à decisão pela cirurgia

  • 25 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das estruturas mais importantes do joelho. Ele conecta o fêmur à tíbia e controla o movimento de translação e rotação da articulação. Quando rompe, o joelho perde estabilidade, e essa instabilidade tem consequências que vão além da dor imediata.


Como a lesão acontece?


A maioria das lesões do LCA ocorre sem contato físico direto. O mecanismo mais comum é uma mudança brusca de direção com o pé fixo no chão, algo que acontece em esportes como futebol, basquete, vôlei e tênis. Corrida e esqui também entram nessa lista.

No momento da lesão, muitos pacientes relatam um estalo audível seguido de dor intensa e inchaço rápido. O joelho pode falhar na sequência, dando a sensação de que saiu do lugar e, em poucas horas, a articulação fica tensa e difícil de movimentar.

Os principais sintomas da lesão de LCA são:

  • estalo no momento da lesão

  • inchaço rápido

  • dor intensa

  • sensação de instabilidade

  • episódios de falseio


Como é feito o diagnóstico?


O exame clínico é o ponto de partida. O ortopedista realiza manobras específicas para avaliar a estabilidade do joelho, sendo que o teste de Lachman e o pivot shift são os principais, pois permitem identificar a frouxidão ligamentar com precisão.

A ressonância magnética confirma o diagnóstico, mostra o grau da lesão e identifica estruturas associadas que possam ter sido atingidas. Lesões de menisco e de cartilagem ocorrem junto com a ruptura do LCA em uma parcela significativa dos casos. Esse detalhe muda o planejamento cirúrgico.


lesão ligamento cruzado


Para quem é indicada a cirurgia e em que momento?


Nem toda lesão de LCA exige cirurgia. Pacientes mais velhos, sedentários e sem episódios de instabilidade podem se tratar com fisioterapia e adaptação de atividades. Em alguns pacientes, o joelho sem LCA pode manter boa função com fortalecimento muscular e adaptação das atividades.


A cirurgia passa a ser a melhor opção quando:

• O paciente pratica esportes com mudança de direção e quer voltar a praticá-los

• Há episódios de falseio do joelho nas atividades do dia a dia

• Existem lesões associadas de menisco que precisam de correção cirúrgica

• O paciente é jovem e tem um joelho instável que vai se desgastar mais rápido sem o ligamento

O joelho sem LCA que continua instável tem risco maior de desenvolver artrose precoce. Cada episódio de falseio produz microtraumas nas estruturas internas da articulação. Esse é um dado que entra na decisão cirúrgica, especialmente em pacientes jovens.


Como é feita a cirurgia?


A reconstrução do LCA é feita por artroscopia, que é uma técnica conduzida por vídeo. Não é necessário abrir o joelho, pois dois ou três cortes pequenos na pele permitem a entrada de câmera e instrumentos. 

Na maioria dos casos, o ligamento rompido não é reparado diretamente, pois o tecido ligamentar não tem capacidade de cicatrizar adequadamente. A cirurgia reconstrói a estrutura usando um enxerto de tendão, geralmente retirado do próprio paciente. Os tendões isquiotibiais, na parte interna da coxa, são os mais usados. O tendão patelar e o tendão quadricipital também são opções, com indicações específicas.

O enxerto é fixado nos ossos do fêmur e da tíbia por meio de túneis ósseos. Com o tempo, ele passa por um processo biológico de integração chamado ligamentização. Esse processo leva meses e define o ritmo da recuperação.


Como é a recuperação?


O pós-operatório do LCA não é linear. Cada fase tem características próprias e exige condutas diferentes.

Nas primeiras semanas, o foco é controlar o inchaço, recuperar a mobilidade do joelho e começar a ativação muscular. O paciente usa muletas por alguns dias, mas já apoia o pé no chão desde o primeiro dia na maioria dos casos.

A fisioterapia começa cedo e segue por meses, já que o fortalecimento progressivo da musculatura da coxa é o centro do protocolo. É importante que quadríceps e isquiotibiais recuperem força e coordenação antes que qualquer retorno ao esporte seja considerado.

O retorno às atividades do dia a dia acontece em poucas semanas. No esporte de alto impacto, o retorno leva, em média, nove meses. Esse prazo existe porque o enxerto precisa de tempo para completar a integração ao osso. Liberar o paciente antes desse período aumenta o risco de uma nova ruptura.


O que leva a um bom resultado cirúrgico?


A escolha do cirurgião e o posicionamento correto dos túneis ósseos são fatores críticos. Poucos milímetros de diferença na posição do enxerto podem comprometer a função do novo ligamento ou limitar o movimento do joelho.

A fisioterapia conduzida de forma adequada é essencial para o bom resultado cirúrgico. Um protocolo bem executado reduz complicações, melhora o controle neuromuscular e prepara o paciente para o retorno seguro às atividades.

A avaliação criteriosa antes da cirurgia, incluindo a identificação de lesões associadas, define o planejamento correto.


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