Lesão de menisco: quando a cirurgia é necessária?
- 25 de mai.
- 4 min de leitura
O menisco é uma estrutura de fibrocartilagem localizada entre o fêmur e a tíbia. Existem dois meniscos em cada joelho, o medial, no lado interno, e o lateral, no lado externo. Eles distribuem a carga sobre a articulação, absorvem impacto e contribuem para a estabilidade do joelho.
Quando o menisco sofre uma lesão, a pergunta mais frequente que chega ao consultório é: há necessidade de cirurgia? O fato é que não existe uma única resposta, pois a decisão pela cirurgia vai depender do tipo de lesão, dos sintomas e do estado geral do joelho.
Como a lesão acontece?
Existem dois mecanismos principais para a ocorrência da lesão. O primeiro é o traumático: uma torção brusca do joelho com o pé fixo, comum em esportes como futebol, basquete e corrida. O segundo é degenerativo: o menisco se desgasta ao longo do tempo, sem nenhum trauma específico. Esse tipo é mais frequente em pessoas acima dos 45 anos e costuma aparecer junto com outros sinais de artrose.
Os sintomas mais comuns são dor na linha articular do joelho, inchaço, dificuldade para agachar e, em alguns casos, sensação de travamento ou bloqueio do movimento.

O que o exame mostra?
A ressonância magnética é o exame padrão para avaliar o menisco. Ela mostra a localização da lesão, o tipo de ruptura e o estado da cartilagem ao redor. Mas o laudo isolado não é suficiente para definir a conduta. O exame físico e os sintomas do paciente devem ser considerados para a tomada de decisão.
Um ponto relevante: lesões de menisco podem aparecer em ressonâncias de pessoas sem nenhum sintoma. Isso é mais comum a partir dos 40 anos. Operar uma lesão assintomática não é indicado.
Quando é indicado o tratamento conservador?
Lesões degenerativas, sem bloqueio mecânico do joelho e com sintomas leves a moderados, costumam responder bem ao tratamento sem cirurgia. Fisioterapia, fortalecimento muscular e controle da inflamação resolvem o quadro em boa parte dos casos.
Lesões traumáticas em zona periférica do menisco, chamada de zona vermelha, têm potencial de cicatrização porque essa região tem melhor irrigação sanguínea. Nesses casos, o repouso e a fisioterapia podem ser suficientes, dependendo das características da lesão.
O tratamento conservador também é a primeira escolha quando o paciente tem artrose avançada. Tratar o menisco cirurgicamente em um joelho com desgaste difuso da cartilagem raramente resolve a dor, porque a origem do problema está além do menisco.
Quando a cirurgia é indicada?
Há situações em que o tratamento conservador não é suficiente e a cirurgia passa a ser a melhor opção.
O travamento mecânico do joelho é uma delas. Quando um fragmento de menisco se desloca e bloqueia o movimento da articulação, o joelho não consegue estender completamente. Como essa situação não se resolve com fisioterapia, a artroscopia é necessária para reposicionar ou remover o fragmento.
Lesões em alça de balde, um tipo específico de ruptura em que o menisco dobra sobre si mesmo, costumam causar bloqueio e exigem intervenção cirúrgica.
Dor persistente que não melhora após semanas de tratamento conservador adequado também indica revisão da conduta. Se o joelho continua limitando a vida do paciente apesar da fisioterapia, a avaliação cirúrgica é o próximo passo.
Já em pacientes jovens com lesão traumática aguda e boa vascularização no local da ruptura, a sutura do menisco é preferível à remoção. O objetivo é preservar o tecido, que tem função importante na proteção da cartilagem a longo prazo.
Quando retirar o menisco ou quando suturar?
Quando a cirurgia é indicada, a decisão entre suturar e remover parte do menisco depende do tipo e da localização da lesão.
A sutura é preferida sempre que possível, pois ela preserva o menisco e protege a articulação a longo prazo. Mas é necessário que a lesão esteja em uma região com vascularização adequada e que o tecido tenha qualidade suficiente para cicatrizar. A recuperação é mais longa do que após a remoção.
A meniscectomia parcial, que remove apenas a parte comprometida, é feita quando a lesão não tem condição de cicatrizar. A recuperação é mais ágil, mas o joelho fica com menos tecido de proteção. Note-se que isso não é um problema no curto e médio prazo, mas pode influenciar o desgaste da articulação a longo prazo em pacientes mais jovens. Sempre que tecnicamente viável, preservar o menisco é a estratégia preferida.
O que acontece quando a decisão é adiada?
Lesões mecânicas não tratadas podem gerar consequências. Um fragmento instável que continua se movendo dentro do joelho produz microtraumas repetidos na cartilagem. Com o tempo, esse processo acelera o desgaste articular e pode antecipar a artrose.
Adiar a cirurgia quando ela é necessária não é adequado, pois a janela para suturar o menisco, por exemplo, se fecha com o tempo. Uma lesão que poderia ter sido reparada nos primeiros meses pode exigir remoção se for tratada tardiamente.
A decisão correta, seja operar ou não, demanda uma avaliação clínica completa. O tipo de lesão, a idade do paciente, o nível de atividade e o estado geral do joelho são os fatores que definem o caminho.
Se você recebeu o diagnóstico de lesão de menisco e deseja saber quais os tratamentos possíveis e se a cirurgia é realmente indicada, uma avaliação com o ortopedista pode definir o tratamento mais adequado para seu caso.




Comentários